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Descubra qual a raça ideal para você e sua família

Site Bolsa de Mulher, 18 de julho de 2008

Por Luana Martins

Um belo dia você decide que quer uma companhia. Talvez, para brincar com seu filho, talvez para alegrar os seus dias. E decide que vai ter um cachorrinho. Boa escolha! De fato, os cães são os melhores amigos do homem. Então, você corre para o pet shop mais próximo da sua casa e compra o animalzinho mais fofinho da vitrine, certo? Errado. Antes de acrescentar um membro peludo à sua família, algumas questões precisam ser analisadas.

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Quer um cachorro? Então primeiramente responda às perguntas: você possui condições financeiras para sustentar o animal? Todos os membros da sua família desejam o cachorrinho? Mora em apartamento ou casa? Está a maior parte do tempo na rua? Possui crianças? Quem limpará as necessidades do bichinho e o levará para passear? Respondido estes questionamentos, você saberá se tem reais condições de adquirir ou não o cão.

Aí, o próximo passo é conhecer como se comporta cada raça e decidir qual se encaixa melhor no perfil da sua família. "Ainda que se deva levar em conta a criação do animal, de uma maneira geral, podemos dizer que pitbulls são mais bravos, labradores, animais dóceis. O grupo de pastores tem temperamento mais agressivo e os terrier brasileiros são cães amigáveis, mas desconfiados com estranhos. Já o grupo dos retrivers, setters, dálmatas e whippets são animais de temperamento sensível e amáveis", revela a veterinária Priscila Silvério.



Escolhendo o seu peludo

Ainda que as raças possam definir muito do comportamento de um cachorro, você não deve levar apenas esse quesito em consideração na escolha do seu bichano. "As raças possuem características peculiares, mas há tantas variações que pressupor que um determinado animal será agressivo só pela raça é um erro", desmistifica Alexandre Rossi , adestrador e autor do best seller "Adestramento Inteligente". Para ele, a garantia maior sobre como o seu cachorro agirá está na família do próprio animal. "Para ter um pouco mais de certeza, devemos analisar a ninhagem - os pais, avós e irmãos do cachorro. O que ele traz de genética é mais definidor de sua personalidade do que a raça", esclarece.

Depois, também é preciso avaliar se seu bichinho será capaz de se adaptar ao seu lar. Apartamentos pedem cães de pequeno porte, pêlo curto e temperamento calmo. "Raças como o daschund (Salsicha), o pug e bulldog francês são ideais", recomenda Priscila. Já, em casas, a especialista garante que raças mais ativas, como labrador, golden retriever, setter irlandês e weimaraner são bem-vindas.

Se a sua família possui pimpolhos, cuidados redobrados. Algumas raças são mais indicadas para crianças que outras. "Pug, bulldog francês, dálmata, boxer, whippet, golden retriever são animais mais dóceis e sociáveis", diz Priscila. Já, quem possui idosos na família deve priorizar pelas raças: yorkshire, shih-tzu, pastor de Shetland, bichon frise e lhasa apso ou adotar um cão adulto. "Cachorros mais velhos possuem um temperamento e um comportamento mais definido que os filhotes, além de não possuírem dentes afiados que possam ferir a pele mais sensível do idoso", aconselha Alexandre. E, para a felicidade geral, quem sofre de problemas alérgicos não precisa desistir do sonho de ter um cãozinho. Basta escolher raças de pêlo curto. São elas: boxer, wippet, pug, beagle e pointer. "Vale lembrar que a queda de pêlos está relacionada com a época do ano e a alimentação do animal", enfatiza Priscila.



Cara de um, focinho do outro

Você certamente já ouviu por aí, algo do tipo: os cachorros são iguais aos donos, certo? E, em parte, toda essa sabedoria popular é verdadeira. Assim, como crianças assumem determinadas características da personalidade dos pais, os cachorros também são influenciados pela família em que são inseridos. Mas o adestrador Alexandre Rossi faz questão de frisar que nem sempre esses comportamentos se tornam iguais. "Algumas vezes o cachorro são o oposto do dono. Uma pessoa muito dominante e autoritária pode acabar influenciando um comportamento submisso em seu cãozinho. Já outra permissiva demais pode vir a ter um cachorro dominante", diz.

E quando os donos resolvem transformar aquela bolinha de pêlos em um bebê? Cuidado! Por mais que seja tentador, e ele seja um "fofo", é preciso lembrar que cachorros são cachorros e bebês são bebês. Tratar o seu cãozinho como criança não é correto e pode desenvolver comportamentos indesejáveis em seu amiguinho. "Cachorros e seres humanos têm necessidades diferentes. O cão deve ser tratado de acordo com essas exigências.

Alguns alimentos, como chocolate e cebola, por exemplo, que para nós não possuem nenhum problema, são venenosos para os animais e podem até matá-los", argumenta Alexandre. A mesma dica serve para roupinhas em dias quentes e beijos na boca do canino. Sem exageros, ou você corre o risco de fazer com que seu peludo se sinta, na verdade, um peixe fora d'água!

Talvez você já tenha atravessado a rua ao ver um rotweiller, mudado a rota por causa de um pitbull e até deixado de visitar um amigo porque ele possui um imenso doberman, certo? Cachorros grandes são famosos pela fama agressiva. Mas recente pesquisa publicada na revista Applied Animal Behavior Science parece desbancar essa reputação. É que, segundo o estudo, o dachshund, mais conhecido como "Salsicha" foi apontado como o cão mais feroz entre 30 raças pesquisadas. De acordo com a revista, um entre cinco salsichas já atacou ou almejou atacar um estranho. E um entre doze já atacaram seus próprios donos. As raças golden retriever, labrador, são bernardo, britanny spaniel e greyhound figuram entre os mais calmos.

A pessoa que deseja adotar um animalzinho da Suipa precisa ter mais de 18 anos, trazer identidade, CPF e comprovante de residência Mas a bravura dos pequenos tem justificativa. Além da raça e dos donos, o comportamento dos cães também é definida em relação ao ambiente em que vivem. "Cachorros menores precisam de uma dose de coragem maior. Já imaginou viver nesse mundo gigantesco? Uma pessoa que senta em cima de um cachorro desses pode até matá-lo", brinca Alexandre. E o adestrador acredita que o comportamento agressivo também se justifica em uma educação mais permissiva. "Além do mundo apresentar muitos perigos, os cachorros pequenos têm mais tendência a serem tratados como bebês, a terem suas vontades realizadas e até mesmo esses comportamentos agressivos mais tolerados, afinal, 'um cachorro tão pequeno assim não vai matar ninguém, né?!'", explica Rossi.



Adestrando seu peludo

Seu cachorro chora para chamar atenção? Pula nas pessoas e derruba você na rua? Não deixa o veterinário examiná-lo? Talvez você esteja precisando educá-lo. Uma boa dica é o adestramento. Ele pode ser feito a partir de 50 dias de vida do filhote e a técnica consiste em treinar seu bichinho a obedecer determinados comandos, em troca de uma recompensa. Os mais básicos são os famosos: senta, deita, apanha a bolinha, dá a pata, finge de morto, rola. E muitos podem ser ensinados pelos próprios donos. "Se você tem um cachorro que late para pedir comida, carinho ou brinquedo e oferece o que ele quer, você está o treinando a latir. Para que ele não repita esse comportamento, você pode dar uma 'bronquinha' de leve, para criar um estímulo desagradável, e recompensá-lo por pedir de outra forma, como sentar para pedir, dar a patinha", ensina Alexandre.

As aulas são feitas através do que Rossi define como reforço positivo. "Você ensina o cachorro que, através da obediência, ele é recompensado e consegue as coisas que quer. Mostrando que detém a liderança, mas sem violência", explica o adestrador. As aulas funcionam como um jogo, onde os donos podem participar criando atividades nas quais o cachorro precisa descobrir o que se quer que ele faça, para ele ganhar o que deseja. A cada objetivo alcançado são criados graus de dificuldade para que o cachorro aprenda mais comandos diferentes a fazer.



Adoção: um gesto de amor

Se depois de ler essa matéria você ficou com uma pulguinha atrás da orelha de interesse em obter um cãozinho, saiba que existem muitas maneiras para fazê-lo. As cidades estão cheias de canis, pet shops, criadores. Mas se, além da aquisição, você deseja praticar um verdadeiro ato de amor, um bom caminho é a adoção. "Adotar, não importa se um bichinho ou uma criança, é um bem que você está fazendo para um ser vivo. É uma forma de deixar o egoísmo de lado e praticar toda a sua compaixão. E ajudar o outro, protegendo-o, dando um lar. É muito gratificante", desabafa Izabel Cristina Nascimento, presidente da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), no Rio de Janeiro. O abandono de cães e gatos é um problema real que chega a números assustadores. Só no estabelecimento que Izabel preside, atualmente, são 6.800 cães e 2.000 gatos abandonados. E o número aumenta a cada dia, já que a instituição é contra a eutanásia e acolhe, diariamente, 60 novos animais.

Assim como a Suipa, espalhadas pelo país, existem centenas de organizações que oferecem cachorros e gatos para adoção. E o procedimento é simples. "A pessoa que deseja adotar um animalzinho da Suipa precisa ter mais de 18 anos, trazer identidade, CPF e comprovante de residência. Antes de levar o novo companheiro para casa, ela passa por um questionário e uma entrevista para ver se realmente está apta à adoção. Caso seja um filhotinho, o novo dono precisa, ainda, assinar um documento em que se compromete a esterilizar o bichinho após 6 meses de idade", explica Izabel.

No entanto, vale lembrar que cuidar de um animal não é nada fácil. A adoção é um compromisso sério e requer muitas responsabilidades. São gastos com comida, veterinário, além de muito carinho e dedicação. "A pessoa que deseja adotar um bichinho precisa ter condições financeiras e psicológicas para cuidar dele. Ter um animal é como ter um filho", enfatiza Izabel.

Escolhido o cachorrinho, não se esqueça que ele precisa manter a vermifugação e vacinação sempre em dia, de uma alimentação de qualidade e de passear com freqüência, principalmente no horário do sol matinal.


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